Cambada de esfomeados à espera do arroz doce!De elementar justiça o enorme agradecimento à Sandra Pais, esposa do Paulo Pais, que teve a paciência e a amabilidade de preparar um doce final para uma volta plena de boas emoções que contou com vinte elementos à partida, vindos de diversos quadrantes, desde estreantes a repetentes, uns plenamente desconhecidos, outros, ao invés, sobejamente conhecedores das nossa lides domésticas e dos nossos afazeres domingueiros. Bela moldura humana a responder à convocatória que foi apelidada como "A volta do Arroz Doce".
Concentração na Caneira Velha com o PP a provar, uma vez mais, que para reinar não é necessário dividir. Antes pelo contrário mostrou com a humildade e simpatia que lhe são reconhecidas que com boa vontade tudo se consegue.
Numa breve nota introdutória salientou-se que haveria duas paragens à ida, uma em Torres, para um cumprimento do nosso dinamizador ao sucessor nas lides da Bicigal e uma outra no Bombarral para pausa cafeínada. Ainda assim o andamento era livre. Quer isto dizer que não havia o preconceito de nos cingirmos a nenhum ritmo pré-estabelecido e que havia margem para se poder acelerar para quem bem o entendesse sem prejuízo de se ser votado ao abandono em caso de atraso.
Até Torres aqueceu-se e o clima parecia querer ajudar, dissipando-se as núvens que horas antes protestaram com muita chuva largada. Situaram-se as unidades no pelotão e em ritmo de conversa fez-se a súbida do Carvalhal que serviu para acalmar aqueles que eventualmente esperavam desde logo abertura de hostilidades.
Na saída de Torres resolvo fazer registo do parcial até ao Bombarral, contrariamente ao que me é hábito. Timidamente o André vai para a frente e leva o pelotão em ritmo simpático. Chovem provocações para que se meta ritmo de "homem" mas ninguém lhe quer fazer companhia. O primeiro segmento, até ao Ameal, cumpriu-se ainda com muitas conversas e com as respirações bem serenas. Depois resolvo dar uma ajuda e aproveito a "descida" para me situar na dianteira. Animou-se o ritmo e principalmente o André que com companhia perdeu inibições e sem complexos deu o corpo ao manifesto. Os quilómetros iam passando e o puto queria fazer o ritmo cada vez mais elevado. Não era essa a minha intenção visto que os registos cardíacos se iam incrementando e puxando cada vez mais para o vermelho. Ainda assim a voz serena de um atleta (com gorro em vez de capacete...) ia retemperando os impetos do ciclista que parecia querer largar tudo pelo caminho tal era a vontade de trabalhar!
Até à rotunda do Outeiro o jovem atleta apenas recuou na súbida final para melhor se poder defender de eventuais ataques. Quando o rendi protestou acerca do esticão que viria a ocorrer pouco depois. Confesso que não esperava.
Assim que fico na frente a solo o Sérgio dispara o primeiro ataque e provoca reacção em cadeia no seio do pelotão que perdeu na fase final a compustura. Um camião impediu que as diferenças fossem maiores e a marcação denotou atitude viril...
Assim que se faz a rotunda meto ferro de castigo. Até ao Bombarral com a lenha toda na fogueira com ajudas determinantes dos novatos Pedro e António que mostraram grande espírito de ajuda e que não se pouparam na hora de fazer as despesas que lhes couberam. Na chegada mostravam já enormes debilidades mas um sorriso rasgado e quando fiz o último raide para lançar um mini sprint somente o André veio na roda e sem as dificuldades da fase anterior saiu a solo na frente.
Uff - era tempo de respirar fundo e recuperar dos 36 minutos de ligação à média de 36 Km/h com a média cardíaca a fixar-se nas 167 bpm e máximo de 189 bpm. Descontados os quilómetros iniciais foi uma bela série...
Algum silêncio e depois pediram-se tréguas para o regresso. A pausa não foi longa e timidamente voltou-se à formação de pelotão agrupado na saída em direcção ao Vilar. A toada do início regressou e a "paz podre" instalou-se.
Afiavam-se as facas para o Sarge. Depois haveria nova neutralização à entrada de Torres.
Regresso à frente e partilho estrada e conversa em andamento moderado. O Runa tem vontade de fazer o gosto ao pé e vai lançando o engodo. Timidamente vai-se afastando e quando tem distância de fuga mete mais peso. A reacção é de controle e a diferença vai-se mantendo. Normalmente seria neutralizado na aproximação ao Sarge. Assim não foi porque o Jorge de Alverca furou e em claro sinal de desportivismo pôs-se pé no chão enquanto se aguardava.
No reatamento o PP diz-me que quer lançar a súbida. O ritmo começa a subir e pouco depois sai o homem da Caneira de esticão a obrigar a cerrar fileiras. Faço mais um turno e assim que se entra na súbida tento lançar o grupo. Meto passo forte mas ninguém vem comigo. Pouco depois abdico visto que não estava em condições de grandes esforços.
Sai de esticão o André mas uma vez mais vai tudo no seu encalço e digo ao Pedro para ficar comigo porque me pareceu debilitado. Na frente abranda-se e o Pedro não se conforma e enrolamos o passo em perseguição. Iamos a recuperar terreno quando fica apeado o Marco Silva com mais um furo. Paramos e enquanto se trocava a câmara de ar respondo a um chamamento da mãe natureza...
Com mais algumas unidade que entretanto chegaram e após longa paragem o Pedrix protestava que queria ir sozinho. Vindo de paragem por gripe/preguiça escolheu um "doce" dia para regressar e não vinha demasiado animado. Obrigamo-lo a vir connosco e na descida para Torres vinham já ao nosso encontro alguns elementos que estranharam tão longo compasso de espera. Obrigado rapazes.
Na passagem por Torres, pelo interior para ver as montras, informam-me que a batalha foi gira com os cúmplices habituais e com a presença do triatleta David que nos visitou assim como o homónimo da Venda (Amigo do André) que em 4 meses mostrou uma evolução fantástica.
Preocupava-se o PP com a demora e com alguns esfomeados que pudessem ir andando e depois de uma passagem calminha por Catefica voltou-se à carga. No Turcifal o Lopes (Carboom) deu o mote, o triatleta entrou na afinação com a cabra e até à Caneira como esfomeados! Bom andamento com a frente liderada por alguns elementos que se revezavam e mantinham velocidade de cruzeiro bem elevada. Mais uma excelente passagem do Pedro que quebrou logo depois e no final o António saiu como uma bala sem oposição.
Fez-se o cruzamento à esquerda e o Ricardo queria fazer estragos. Leva na roda o André e o David, comigo a segui-los apenas para ver as movimentações. O atrasado Sérgio passa-me cheio de genica e junta-se-lhes para disputar o "prémio da montanha".
Quem ganhou? Ganhámos todos uma bela manhã de ciclismo e de convívio!
Quem ganhou? Ganhámos todos uma bela manhã de ciclismo e de convívio!
No final confortaram-se as barrigas vazias com o desejado arroz. Satisfação garantida e muito boa disposição.
Até Mafra o quinteto do 2640 completou 114 km.
Ficou uma certeza. O nível dos atletas domingueiros é cada vez maior! E a "época" ainda nem começou...






